Esperando Godot

Há quinze dias atrás tive a prazerosa oportunidade de assistir a peça teatral “Esperando Godot” de Samuel Becket, cujo tema é a esperança infinda de dois mendigos amigos de reencontrarem Godot, supostamente um terceiro mendigo que a estes dois se juntaria para discutirem, por pura falta do que fazer, a importância da vida.
Passam-se duas horas de apresentação e Godot não aparece. E a peça termina sem Godot.
A dupla de atores que conduz a peça do inicio ao final, em vários momentos, decide dar um fim àquela vida sem sentido, sem perspectivas, sem propostas, mas acabam por desistir do intento, simplesmente porque estão “esperando Godot”.
Quantas vezes na nossa vida “esperamos Godot”?
Quantas vezes assumimos uma meta importante para nós, que sabemos de difícil alcance, e aguardamos sua concretização?
Quantas vezes desejamos que alguma situação adversa mude, e simplesmente esperamos essa mudança?
Quantas vezes cremos que uma pessoa vá refletir e alterar (para melhor, obviamente) seu comportamento, e ficamos na torcida para que isto ocorra?
Quantas vezes, pelos inúmeros meios de comunicação de massa à nossa disposição, constatamos (ou confirmamos) as mazelas (e que não são poucas) do nosso país, e nos restringimos a exclamar: “as coisas vão melhorar!”
Preocupa-me a postura predominante em muitos de nós de aguardar e torcer para que as coisas mudem por si só.
Incomoda-me ver uma eterna e inabalável esperança de “dias melhores”.
Embora possamos até admitir que muita gente precisa de um “Godot” para dar sentido à sua vida, na verdade, sem iniciativa, sem motivação, sem coragem, sem desprendimento, sem comprometimento, e sem ação estaremos sempre “esperando Godot”.
Até quando?
“Não basta saber; é preciso também aplicar. Não basta querer; é preciso também agir” – Goethe

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